Malês: O Levante dos Pitanga
Em dois de outubro estreou o filme “Malês”. A direção é de Antônio Pitanga, que divide o roteiro com Manoela Dias. O longa retrata o Levante dos Malês, revolta de escravizados no Brasil. Africanos muçulmanos atacaram Salvador em 1835. Mais de 600 pessoas negras, escravizadas e livres, insurgiram contra a guarda e o governo baiano. O movimento durou três horas, servindo de estopim para outros levantes no país. Durante o lançamento em praça pública na periferia de São Paulo, Antônio afirmou sobre a produção: “O meu filme não pode ficar só nas salas de cinema frequentadas por brancos de classe média. Eles também vão ver. Mas esse filme precisa chegar às escolas, à favela e ao quilombo”.
Camila Pitanga, filha de Antônio, e Rocco Pitanga, seu irmão, estrelam o filme ao lado de outros nomes do cinema nacional. Em entrevista à emissora Rede Amazônica, a atriz destacou: “É um sonho que a gente comunga há 20 anos. Nesse filme tem muito da família Pitanga da vida real. Então, não tinha como não embarcar nesse projeto juntos”. Apontou a luta dos atores negros por espaço nas telas: “A família negra é um quilombo. Essa vivência sempre existiu na nossa formação, no silêncio, na nossa melanina. Esse filme é extensão disso”, completou Antônio ao lado da filha. Outro tema presente nas entrevistas é a Cota de Tela. O diretor foi questionado sobre a visão dele em relação a “Ainda Estou Aqui”, as críticas ao mercado de exibição e a política da Cota de Tela.
Cota de Tela é um instrumento de regulação para o mercado de cinema brasileiro, é a obrigação das salas de cinema incluir obras nacionais de longa-metragem na grade. A política pública é validada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Considerada essencial por favorecer o desenvolvimento econômico, o estímulo à produção audiovisual, a promoção da cultura nacional e o acesso da população às obras brasileiras, muitas financiadas com recursos públicos. O percentual varia de acordo com o porte do grupo exibidor: quanto maior o grupo, maior a obrigação. Estipuladas entre 7,5% e 16% da programação das salas dedicadas a filmes nacionais. O Decreto exige que cada complexo exiba um mínimo de títulos brasileiros diferentes ao longo do ano.
Para Antônio Pitanga, esta é uma medida sem real impacto. Não há regulação de horários, divulgação ou garantias que se dão aos filmes estrangeiros, o que representa grave falta da política pública para o setor nacional. “Só então, o cinema brasileiro será respeitado e poderemos contar tranquilamente a história do povo preto no Brasil”, encerrou o ator e diretor.
Confirma o trailer:







Discussão sobre esse post